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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Beija-flor



                   

Ouso chamar-te,

Romper os grilhões...

Mas qual...

Como minha jabuticabeira,

Não produzo frutos.

Louvo-me em contempla-la,

Como um beija-flor romântico

Pairado no ar.

Só sol, só sumo, só seiva...

Eis meu peito sofrido,

Ardendo sob o desencanto da vida.
 
 
Gilson Froelich
Direitos reservados

 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Dor de amor



Mais uma jornada se anuncia,

Mas o sol de ontem nunca voltará.

Paira uma falsa impressão de que a vida se repete,

Mas os atos não têm eternidade.

Misericórdia !        

Misericórdia !

Se meus lábios já não entoam louvores.

Misericórdia !

Se minhas emoções descompassam.

Ou se versejo o amor com encantamento.

Longe das dores que delas me fartei,

Antes nunca do que tarde.

 

Gilson Froelich        

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terça-feira, 11 de novembro de 2014

CHUVA



Sonolenta, sem lua,

Segue a chuva, fina e tênue,

Como lâmina riscando o jardim do céu.

Névoa de sonhos brejeiros,

Embaça os olhos, queima a pele,

E esmaece no chão, enfumaçada.

Alvoroçado, o jasmineiro responde,

E entrega suavidade

Em forma de perfume colorido.

A paz molha a cidade,

E as faces.

Como a dor...

 

Gilson Froelich

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terça-feira, 21 de outubro de 2014

COROAI-ME DE ROSAS


Coroai-me de rosas,
Coroai-me em verdade
De rosas -
Rosas que se apagam
Em fronte a apagar-se
Tão cedo !
Coroai-me de rosas
E de folhas breves.
E basta.

Fernando Pessoa

sábado, 18 de outubro de 2014

AMANHÃS ETERNOS



Somos tempo,

Angústia de cada dia,

Sorrisos de ternura,

Lágrimas de saudade.

De momentos que nem existem.

Somos hoje,

Que se esvai em cada segundo,

Perde-se em cada palavra,

Sepulta a luz dos sonhos.

Somos amanhã.

Promessas de porvir,

Somos um fim a caminho da paz.

Amanhãs eternos,

Somos amor.

 

 

Gilson Froelich

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

FLERTE

 

Ando flertando comigo.

Sem pretensões, sem narcisismo.

Sem tristeza.

Sem entrega – que esta causa dano ao corpo.

Flerto comigo apenas de passagem.

Logo me deixo, talvez só, talvez não.

Se só, deito-me na acídia.

Se não, devoto-me à paixão.

 

Gilson Froelich

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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

VIDA


Não estamos morrendo,

Mas prestes a nascer ...

A beleza humana sobreviverá.

Porque a consciência é imortal

E tem o dom da eternidade:

Carregada pelos braços físicos

Oferece a razão do existir.

Se isso não é verdadeiro,

Ao menos é consolador.

Porque os corpos serão pó.

E a consciência, vida.

Quem nascer, verá !

 

Gilson Froelich

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SOZINHO


Sou sozinho.

Assisto desolado a minha lenta consumação.

Esse olhar que me dou no espelho é falso.

Não sou eu.

Chamei tantos de amigos ao longo do tempo.

Falei tanto de amor...

Distraidamente nem percebi que

A felicidade é uma ideia apenas. Volátil.

Inútil desperdício de energia.

Tudo que é volátil não é importante.

Uma busca vã de significados.

Um dia seremos nada para quem vive.

Talvez uma singela saudade. Passageira.

E estaremos sozinhos para desatar

As amarras de sentimentos e sensações

Que só nós vivemos.

Sou sozinho. Sempre serei,

Desde que meus instintos não me traiam,

Os sentimentos não tem a face humana.



Gilson Froelich

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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Lágrima


Anjo da agonia,

A lágrima desperta e, desgarrada,

Avança sobre a face,

Leito de tristeza,

Armando sulcos desconexos.

Noites de provação

Exigem força e paciência.

Até que, à luz dos segredos molhados,

Como uma rajada de vento nos juncos,

A brisa sopre o alívio que a alma espera.

 

 

Gilson Froelich

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