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segunda-feira, 30 de abril de 2012

SEM CASA


Tem gente que não tem casa,
mora ao léu, debaixo da ponte.
No céu a lua espia
esse monte de gente
na rua
como se fosse papel.

Gente tem que ter
onde morar,
um canto, um quarto,
uma cama,
para no fim do dia
guardar o corpo cansado,
com carinho, com cuidado
que o corpo é a casa
dos pensamentos.

Roseana Murray

(IMAGEM - Os moradores de rua de São Paulo de Hugo Espiritu Escobar)

domingo, 29 de abril de 2012

DÁDIVA


Rasgando descrenças e desilusões
a misericórdia divina
mostra-se, numa fresta de luz.
Transpassa o vitral,
domina o breu,
ameiga o frio,
personaliza o templo.
É arca de pedras,
que recebe, em solo sagrado,
íntimos sonhos
e resplandece a essência humana.

Clau Assi

quinta-feira, 12 de abril de 2012


Esquecido em um canto qualquer,
Em um canteiro sem flores.
O seu olhar entorpecido
Não demonstrava sentimentos:
Nem de dor, nem de alegria.
Nascera nas terras da noite uma estranha flor,
Sem o perfume congênito, uma alma negra, talvez...

terça-feira, 10 de abril de 2012


Sonho um pouco...
Com mãos frias
A esmagar o coração
Parecendo um pequeno pássaro
A perder o ar lentamente
E nos lábios um meio sorriso
Elly Ramos

segunda-feira, 9 de abril de 2012

CORPO DE MULHER




O teu corpo belo e nu
esculpido pela divina mão,
qual a flor que me destes,
trouxe a lume a suavidade
e ao leito o nosso amor.

Gilson Froelich
Direitos reservados

DESALENTO



DESALENTO

A saudade se ilumina na solidão escura,
E permanece atrás da porta do silêncio,
Escondendo a vergonha entre os dedos,
Ainda que nenhum olhar se acenda.
A tristeza escorre entre as mãos laçadas,
Célere, pelo corpo enfastiado de vida.
Pensamentos coloridos povoam o caos
Da mente anoitecida pelos momentos
Que a estrada produziu nesses tempos
Ingurgitados pela impiedade da vida.
Inútil flagelo da meditação errante,
O desalento não cede ao apelo do arbítrio.
Talvez, a vontade livre e consciente busque
Na saudade dolorida o néctar do impossível.
Nada revive o irrevogável.
Nada aviva o irreversível.
Quem partiu, retorna sem vida na saudade.
Quem ficou, revive nada na solidão escura.

Gilson Froelich
Direitos reservados

segunda-feira, 26 de março de 2012

HERESIAS


Lançou o olhar para o alto
Buscou de Deus o encanto.
E tão contido era o pranto
Por nada em estimulo falto.

Blasfemou por seu amor.
E entre heresias distraídas,
Partiam dos olhos do Senhor,
Estrelas caídas, lágrimas sentidas...


Gilson Froelich
Direitos reservados

ADAGIO






Quem dera as flores falassem, e chorassem os céus suas dores.
Calariam as bocas em beijos e as lágrimas seriam cristais de luz.
Que a liberdade humana não pudesse mais carregar sua cruz
Que as vidas brotassem das mãos de Deus como a paz em cores.

Quem dera toda angústia se libertasse do interior das dores.
E que todas as dores se desamarrassem dos grilhões de aço;
Que livremente as bocas bebessem da água límpida do regaço;
Que todas as línguas pronunciassem a explosão de amores.

Quem dera o mundo fosse varrido de toda grotesca escravidão,
E as pessoas todas, e as crianças, voltassem a vestir a liberdade.
Que o bom da vida não visse nem sexo, nem cor, nem idade,
Que cada um, onde estivesse, recepcionasse o outro como irmão.

Quem dera a felicidade pessoal fosse sempre submissa à coletiva.
Que o pão fosse repartido todos os dias, em todo lugar, em todas as mesas,       
E os corações, por mais humildes, vivessem sob chamas acesas.          
E que a fraternidade fosse de todas as ações a que estivesse sempre viva.

Gilson Froelich
Direitos reservados

sábado, 17 de março de 2012

SARAU


Num tempo de breu
de braços estendidos
dor intensa
a vida soluçou-me
saudade imensa
ecoou-me.
Rígida e fria
qual tampo de mármore.

Poesia bendita
que em rimas suaves
sonho acordou
corpo e alma juntou.

Repara, vê!
Sob seu laço estreito
eu e você
atados num abraço
formamos o infinito
e recebemos a vida
de braços estendidos
soluçando amor.

Clau Assi